quarta-feira, 27 de abril de 2016

Escrevendo no céu

Escrevendo no céu
É de dentro de mim que sai
Uma vontade de não ser só eu
Ser mais
O pássaro que voa
As asas da borboleta
Entender a mortalidade como uma coisa boa
E que a vida é trem que chega
E vai
E a gente desembarca
Uma vontade de não ser só assim
Ser muito mais
Num corpo gaiola
As palavras são as penas que dançam
E me permitem ser mais

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O CÉU DA SUNTA

O CÉU DA SUNTA
Não acabam as perguntas
Eu quero entender um pouco mais
Vovó Sunta, onde você foi morar?
A vó Virgínia também está?

Não se separam as nuvens
Em um chão algodão doce
Anjinhos de sorte
Que as têm
Sem ter o tempo para separar

Então, eu junto argumentos
E começo mesmo a me indagar
Olho para o céu
Para os quatros cantos
E começo a me perguntar
Vovó Sunta, onde você está?

E, quase como um relampejo
A ideia que constrói a rima
A luz que emerge da penumbra
O toque que faz a obra-prima
Percebo um erro na pergunta
Coisa pequena,
mas que tudo muda
E deixa tudo no seu lugar

Eu passo a perguntar para os anjinhos
Os grandes e pequeninos
Afinal, vovó Sunta
Onde você não está?










...

(hoje eu a vi no silêncio do meu olhar. E foi tão vivo que eu comecei a chorar)

quinta-feira, 24 de março de 2016

TOC

TOC
De tanto guardar
E de tanto zelo
Nem lembro onde eu coloquei
Será que eu escondi de mim mesmo?
Não sei!

De tanto relutar
E esperar o tempo decidir
Tomei ciência de que,
se ficar parado,
parado estará
Até o dia em que cair

Porque a gente é caleidoscópio
Imagens de um todo meio confuso
Mesmo que o psiquiatra
Me dê o diagnóstico
Eu não sei o que fazer com isso tudo

terça-feira, 15 de março de 2016

"Sonho"

"Sonho"
São as mãos dos pequenos
Os olhos dos meninos
A pipa e o vento
O balé e os dançarinos
Eu e você
 juntinhos!

São os cheiros e os gostos
Pipoca e cinema
É o verso e o poema
A rima e a palavra
Eu e você
Tudo e mais nada!

Eu e você
Minha esposa namorada...

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Assumpta

Assumpta!
Seres celestiais
Anjinhos daqui e acolá
Cuidem bem dessas meninas
Para que elas continuem a nos olhar
Entre mães e tias
Não existe outras palavras
Que não sejam a junção de algumas letrinhas
Que no final a gente diz
ASSUMPTA!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Você livro

Você livro
Você é Feira
Anjinho de asas dobradas
Casa de praia
Cheiro de namorada
Você é palavra

Você é semente
É diferente
Presente dos querubins
É sim
E não também
Você é refrão

Você é candeia
A quebrar minhas cadeiras
Quando se achega em mim
Nos dias da semana
Você é todos eles
Dias-alegrias
Você é poesia
Você é assim...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Transumante

Transumante
Não repare no pranto
Que insiste dos meus olhos cair
É o grito dos meus agouros
Que insiste em sair
Sou eu nos meandros
Dos dias a porvir
Não quero falar dos meus tombos
Só quero continuar e seguir
Há tantos cantos
Um deles há de me servir