sábado, 9 de dezembro de 2017

Le "mot-être"

Quelle langue parlez-vous?
Qu'est-ce que tu ne peux pas oublier?
Quel mot explique ce que tu es?
Faites-vous semblant de remarquer?
Le mot-être!

Vous plaisantez vraiment!
Peu importe si les gens vont comprendre!
Même parce que
Il y a des choses qui sont plus que des mots!
Ils sont l'essence de l'être!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Anseios natalinos

Anseios natalinos
Toda essa canseira
Só pode indicar o fim
Olhe bem!
Olhe bem para mim!
Não preciso de compaixão
Já tenho a minha medicação
E cada vez me estranho mais
Sou alguém em partida
Deixando palavras para trás
Exéquias!
Estou a sua procura
Simplesmente não quero mais...
Nunca mais!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Entre uma caixa e outra

Entre uma caixa e outra
Que roupa vestes, tristeza?
Qual música gosta de escutar?
És surda, calada?
Sabe perdoar?

Eu sou desatino
Desalinho!
Vontade e perdição
Sou pedacinho
Contradição

Que dores sentes, tristeza?
Qual a sua forma de manifestação?
És retinta, relapsa?
Sabes não dizer não?

Eu sou cristalino
Na turbidez da multidão
Se for para voltar
Quero voltar passarinho
Para voar longe
Bem longe do chão...

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Vovó Virgínia

Vovó Virgínia
Muitas foram às vezes que me assuntei com a minha avó Virgínia para falar de coisas que eu nem sabia ainda que estavam por vir. E no meio de cada palavra pequenina que ela dizia, ouvia minha avó acontecer! Se abrir, como quando a gente abre um livro e se põe a ler. Minha avó pintava panos de prato. E tinha flores em quase todas as suas roupas. Um livro ser!
Lembro-me bem do jeitinho menina da minha avozinha, e das histórias que contava do seu tempo de moça. Lembro-me quando ela me disse de um dia que ficou enovelado por tanta fumaça que existia na olaria. E de como era miudinha! E de como tossia. E do medo que tinha do que viria a ocorrer. Às vezes eu percebia que minha avó tinha medo de morrer.
Lembro-me de ter assuntado com a avó Virgínia sobre o que eu queria ser. E ela ouvia, sem muito dizer. Devia é mesmo pensar: "coisas de menino. Com o tempo haverá de amadurecer!". Minha avó Virgínia, das tintas e dos pincéis. Ela guardava meus papéis, poesias que escrevi, sem ao menos eu ainda nem saber segurar na caneta. Minha avó era meio um planeta. Desses onde habita a certeza de que a vida é leveza diante da rigidez temporal.
Muitas foram às vezes que me sentei próximo à minha avó. E passava os desatinos das minhas tardes de menino sem perceber o quanto a avó da gente está para nós como os momentos mais felizes que a gente pode ter. Curtos, intensos, partem sem a gente querer.
Dessas coisas que escrevo, desse jeito que eu sei escrever, muito da vovó Virgínia está nos meus verbos e versos. Tanto, que eu nem dizer. Hoje, sou homem com alguns cabelos brancos, vovó, nessa alva calvície que insiste em crescer. E lembro-me, no silêncio do meu pranto, o quanto eu pude curtir você. Assuntando assentado ao seu lado, nesse conjunto do pincel com o pano de prato. Ai de mim se não houvesse avó Virgínia para eu aprender. Ai de mim! Talvez hoje o papel não estivesse tomado de palavras e lágrimas. Talvez eu não estivesse tomado dessa vontade de dizer...
Vale a pena, tem que valer! Tem que valer!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Preciso escrever mais sobre você

Preciso escrever mais sobre você
Hoje é tão cedo
Nem deu tempo de amanhecer
A gente está aqui já faz um tempão
De verdade, o que de melhor pode haver?

Chego mesmo a pensar
Que o passado é um prato
De que se serve o presente
Sem medo de não se satisfazer

Nesse paladar conjugado
É mesmo a gente
Só pode ser
E entre um verbo e outro
Eu percebo
Que preciso escrever mais sobre você...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Reticências

Reticências
Não posso cair
Não agora
Está tudo tão confuso
Tem mais alguém lá fora?

Eu mesmo que fiz o embrulho
Desculpe, foi de última hora
Ainda está tão escuro
Você vai mesmo embora?

Velaste-me enquanto eu ainda vivo
Esteve aqui, e sem demora
Levaste-me consigo
Para onde o esquecimento mora

É tudo tão bonito
Feche os olhos e abra as portas
Ninguém houve esse chiado
Ninguém realmente se importa

domingo, 15 de outubro de 2017

Calma... Uma hora acaba

Calma... Uma hora acaba
Sou página de livro
O todo não cabe em mim
Já há traças comigo
Anunciando meu fim

Vou morar sozinho
Na casa de um cômodo só
Deitado e retinto
Serei pó

Sou apenas um risco
Nem mesmo uma palavra
A filologia do meu nome
É prenúncio de coisa errada