terça-feira, 7 de junho de 2016

"Livro Juliana"

"Livro Juliana"
Amor é planta tinhosa
Se não cuidar, a de morrer
Jardim de lamúrias
Mas que viceja sem a gente nem perceber
Ficando azul retinto
Cor você

Amor é ser tinhoso
Adula, mas não dá atenção
Faz das injúrias momentos criativos
Reverbera na imensidão
Nas páginas de um livro
Nos contos dos dias
Nos cantos dos olhos
Amor é poesia!

Eu me fiz você
Antes de ter-me em mim
E se amor é tão difícil assim
Espero estudá-lo até o fim
Meu "livro Juliana"

sábado, 4 de junho de 2016

Para Antenor e Irene

Para Antenor e Irene
Cada casal de idosos
Que tenho o prazer de abraçar
Carrega a História nos olhos
História que os filhos têm orgulho de contar
São livros abertos
Que, de perto, não conseguimos dimensionar
Porque são coleções e catálogos
Ensinando os caminhos da vida

E penso,
nas primeiras rugas
que em mim vejo nascer
Que um dia serei eu e Juliana
A termos a mesma paz 
Carregada nas dobraduras do tempo
Nas marcas que nos pertencem
Como Antenor e Irene
Na mansuetude inquietante 
Determinando que aprender é para sempre

sexta-feira, 3 de junho de 2016

MANIFESTO DA IMPARCIALIDADE

MANIFESTO DA IMPARCIALIDADE
LEVANTE-SE, PEDRO!
NÃO SE SINTA DERROTADO
EM UM MUNDO DE TANTOS DEVANEIOS
OS ALUNOS JÁ TE ENSINARAM:
"NÃO DÁ PARA FICAR DEITADO!"

LEVANTE-SE, PEDRO!
TRAJETÓRIA É PARA QUEM TEM
NINGUÉM SABE DOS NOSSOS PASSOS
MESMO QUE FINJA SABER
FAÇA DA REVOLTA
ENERGIA!
NÃO CEDA, NÃO PEREÇA
FAÇA VALER...

sábado, 14 de maio de 2016

Fazia

Fazia
Deveria ter feito
Mas não fiz
Se faria diferente
Agora eu fazia
Pelo simples fato
De que não há mais tempo  
Para ser mais feliz

Verbo em um futuro do pretérito
É como o decreto
A lápide!
A pedra fria sobre um caixão
Se mata o futuro
Quando o presente é repleto de dúvidas
E nenhuma exclamação!

sábado, 7 de maio de 2016

Transbordo

Transbordo
Do rio que sobe e toma a margem
Da margem que vira aguadeiro
Que só faz descer lá pra fevereiro
Do cheiro inteiro
Da vida em você
Eu sou peixe nas curvas do seu corpo
Me afogo sem perceber
É que o rio virou lagoa
E eu fui morar na matas do prazer

domingo, 1 de maio de 2016

O vasilhame da palavra

O vasilhame da palavra
Cabelo loiro
Cabelo trançado
Trança da cor do fogo
E eu, despenteado

Olhos furta-cor
Azul do céu sagrado
Verde como o mar
E eu com os olhos fechados

Poesia é assim
Quando se define
A poesia vai
E grita
"definir comprime!"

Gaiola aberta

Gaiola aberta
Sonhei com meu pai
Soltando um pássaro que eu havia prendido
E pensei, logo depois de ter acordado
Que eu não era eu
Não fazia nenhum sentido!
                    
Mas o pai,
o pai era o mesmo
Meu pai, meu amigo
E acabei por entender
Que mesmo nos devaneios da cabeça no travesseiro
Meu pai estará lá
Olhando e me corrigindo!

Para que assim eu não perca
A sutileza desse mundo colorido
Afinal, se for para ver
Que seja voando
Livre, livre
Lindo...