quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Agenda

Agenda
Então Deus nos leva na carruagem do tempo
Acorde cedo
Beba água da cachoeira
Finja que já é sexta-feira
Visite a avó
Passe a tarde inteira

Coma bolinhos de chuva
Em dias de Sol a pino
Desenhe meninos
No seu protocolo judicial
Observe os pequeninos
Pendure o terno no varal

Saia da lógica
Desenterre a contradição
Fira o princípio da ordem
Declare-se mandrião!

Seja telescópio
Em céu que precisa de estrela
E descubra a maravilha
Que é ficar descoisando
Só de bobeira...

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Contingências

Contingências
Sou linha
No céu de papel
Linha que engruvinha
Nas nuvens lá do céu
Sou semente
Na terra dos grafites
Tenho cá minhas ervas daninhas
Quem não as tem
Não existe

Sou manhã solitária
Tarde de divagações
Sou sertões e capoeiras
Subida na ladeira
Sou sem querer ser...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Cabeça baixa

Cabeça baixa
Renascer das cinzas
Tal qual a fênix que mora em mim
Que mora em todos nós
Desatar idiossincrasias
Nada precisa ser muito para ser demais

Veja bem, não sei se é um comportamento padrão
Sofrer é a trilha dos mortais
A terapeuta aponta a direção
"Encontre espaço
Sempre cabe mais"
E eu fico com o certeza
De que nada precisa ser tão pouco
Ao gosto dos florais

Mas veja bem!
Essa tristeza encontra morada
No silêncio das minhas palavras
No espaço dos papéis
Na palavra trancada
Na secura dos pincéis
Para que a tia Márcia me peça
"Escreva, você é capaz..."

E a cabeça, antes baixa
Já se faz do barulho
Como se viver fosse embrulho
Presente envolto em jornais
Viver é maré baixa
Maré alta
... Amanhã escrevo mais

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mansuetude

Mansuetude
para o meu amigo Keiji! Ando com você! Sempre!
Olhe lá
Olhe lá!
Nada está tão longe
Que não possa estar!

É logo ali
Os nossos braços estão abertos
Todos estão tão pertos
É só continuar

Eu já escuto o silêncio dos teus passos
Não vivo só de retratos
Deus nos dá os lastros
Para seguirmos rumo à imensidão

Afinal, nada está tão longe
Que não possa chegar
A vida é isso mesmo
Não há contestação

Essa vazante e cheia
Esse trilhar sem previsão
Em um tempo que só o tempo consegue explicar
Só nos restando a compreensão 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eu e tantos outros

Eu e tantos outros
Com os pincéis do improviso
Eu risquei céu colorido
Coloquei algo a mais no seu porta-retratos
Fiz a mistura do prato
Porque é quando a gente cria
Que a gente vira a gente
De fato!

Com as canetas da inconsequência
Mergulhei o elefante
Fiz voar o tubarão
Enchi de fé o descrente
E ironizei o perdão
Porque eu só me sinto meu
Quando me vejo ali
Esparramado em folhas pelo chão

E com os papéis da conversa
Lancei-me para além do tempo
Além de mim
Freei a pressa
Dei ao não a beleza da resposta
Que muitas vezes só cabe ao sim
Porque os outros são o eu que não está em nós
O eu que estará em nós
Mesmo depois do nosso fim

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Urbis

Urbis
O barulho do trem
Esse vai e vem
A moça com a pipoca estourando
O caminhar de tantos
Dezenas de cem!
E outros tantos mais

O tilintar dos passos
Percalços
Ruas e calçadas
Ninguém sabe muito bem
A sirene
O sereno
A noite que cai
O improviso está nela também

A cidade é essa obra inacabada
Espaço de nenhum em tantos nós
Que acorde e dorme
E nunca se satisfaz
Espaço do desencontro
Para que o trem carregue tantos mais...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Tristeza

Tristeza
Fez barulho
E foi tão alto
Que parecia ser silêncio
E virou engodo
Embrulho
Sofrimento
Um grito oculto
A voz que vem de dentro
O fruto que não está maduro
Momento

Fez seresta
A boa festa
Um canto meu
E seu também
Fez como se fosse hoje
Amanhã já não presta
Para ser isso
Precisa ir além
Ser curva reta

E fez frieza
Uma bravata
A desatar gravatas
Dos pescoços entrincheirados
Onde cabeças se olham
E olham
E não enxergam
O que está ao lado

Porque a tristeza é isso tudo
Nada em si
E nada mais
A tristeza é a certeza
De que somos mortais