quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Transumante

Transumante
Não repare no pranto
Que insiste dos meus olhos cair
É o grito dos meus agouros
Que insiste em sair
Sou eu nos meandros
Dos dias a porvir
Não quero falar dos meus tombos
Só quero continuar e seguir
Há tantos cantos
Um deles há de me servir


 


domingo, 7 de fevereiro de 2016

No silêncio da espera

No silêncio da espera
Janela, janela
Porta, tramela
Chove  lá  fora
E você não repara
Que já passa das 20 horas

Luzes natalinas
E a sina dos corredores lotados
Socorro!
Meu muito obrigado
Fico aqui!
Espero  no carro

Rolante, rolante
Nada muito interessante
Escrever é passatempo
E as sacolas levam as pessoas
Nessa selva de cimento 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Eus inimigos

Eus inimigos
Meu travesseiro sabe de mim
E eu não sei
A casa conta os passos
Que eu já dei
As paredes e os quadros
Sou eu
E eu nem sei

São pensamentos intrusivos
Vão e voltam e vem
Ninguém agora está comigo
Sou eu?
Não sei
São riscos em um disco
A mesma faixa
Um milhão de vezes
Repetindo
"Eu errei"

Daí, o doutor me explica
"Tome conta da sua cabeça
A dosagem é essa mesma
Por que a surpresa?"
Morre aos poucos
Quem não mata seus eus inimigos
Pelo menos uma vez








imagem extraída do sítio http://irio.deviantart.com/art/Autodestruction-106125996

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Sobre a guia

Sobre a guia
Eu canto com os pulmões do mundo
Eu desenho para pertencer
Eu vejo além do quarto escuro
Eu quero esquecer

Eu navego no seu vestido de veludo
Não sei o que vai ser
Eu sou o prelúdio
Do amanhã que vai nascer

Sou eu
E tantos outros assim
Sou tão pequeno
Que não caibo dentro de mim

Fato

Fato
Olhe vó Sunta
Onde foi que eu cheguei
Lugar nenhum
Você sabe bem

Olhe, vó Virgínia
São tempos desiguais
Sobram perguntas
Desfilam ideais

Olhe, amigos
Sou um perigo
A caixa de comprimido
...
Vou morrer cedo demais

Letter dolor!

Letter dolor!
Sê vagalume
Em um lugar lúgubre
Minha cabeça é floresta velha
E os monstros moram nela

Habite o estrume
Para que ninguém espere mais de você
Grite e zumbe
Que mal pode haver?

É tempo dos betumes
Das cores carregadas de não ser
Eu morro no silêncio das minhas palavras
Amanhã vou renascer

domingo, 17 de janeiro de 2016

Maldade

Maldade
A maldade anda calada
De costas arqueadas
Usando o bastão da consciência
Para enclausurar gavetas
Que guardam projetos e anseios pueris

A maldade se veste de feliz
Se diz menina moça
E que o desentendimento é parte da equação
A maldade trata o hoje como o último dos prelúdios
E tem a ideia de que o amanhã não é mais tempo
Nem continuação

Por isso, a maldade não vê princípio
Nem se faz de rogada
Não precisa de advogado
Não usa o certo e o errado

A maldade é o cabo
Que segura as pernas
É a ausência da piada
A vida desgraçada
Faz tudo ser nada