quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Bonequinhos de papel

Bonequinhos de papel
toda a criança cria para agigantar o mundo
Quando a gota da chuva é um oceano
Quando o dia vira um ano
Quando o vento é tempestade

Quando a dor traz a saudade
De um tempo de meninices
No ventre e nas crendices
Do bater do coração de uma mãe

Quando a manhã primeira se desnuda
Quando se encontra a cura
Quando a partida não anuncia a chegada
Quando o tempo traz a saudade

São essas dores da maioridade
Em uma cabeça mingau de chocolate
Onde a mentira também pode ser verdade
A desfilar credulidades
E se transformar em eternidade

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Mês de Maio

Mês de Maio
Deixo os sentidos falarem por mim
Hoje o silêncio é prece
E que ninguém despreze
O que eu peço ao Pai

Caso contrário minha caneta seca
A palavra não sai
Fica choca a descoberta
O desalento é demais

Peço, Pai querido
Como se fosse meu primeiro e último pedido
Para que no ano que vem
Tenha mais bolo e vela
Em uma reunião de queridos
A abraçar a própria história

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ceifeiro

Ceifeiro
O homem é o vaso da palavra
Não apenas quem ouve
Mas também quem fala
Porque a palavra é rara
Se tomada em seu silêncio

Seja porque as vezes falamos para o mundo
Seja porque as vezes falamos para dentro
No silêncio da folha quarto
Antes da cabeça ter seu parto
A palavra germina
Não precisa ter rima
Se adubada com vigor

Eu sou agricultor desse campo a perder de vista
O exercício da escrita
Me faz sair de mim
Ser vaso de tantos outros
Na sutileza de ser assim...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

3 de outubro

3 de outubro
A vida é cantinho
O cantinho da gente
O encanto da poesia
A rima diferente
O final que não combina
E mesmo assim emociona a gente

A vida é livraria
Poltrona para dois
Mesmo que pareça caber só um
É o zoom
Que a gente dá pra ver Deus
É lugar nenhum
E todos eles em nós

É Pedro e Maria
Luís e Assumpta
Carlos e Márcia
Respostas e perguntas
A data que fica no dedo
Na aliança com o amanhã

É viver
Não tem segredo
É ser mais do que a gente
É conjuntar daqui para frente
O nós...
Para sempre

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Jornada

Jornada
Olhe ali!
Os passos são os nossos
Há laços
E eu posso
Ouvir e sentir você
Meu amigo do silêncio
Ver é muito mais do que olhar
Sentir é também escutar

Olhe ali!
Perceba também
Meu amigo do invisível
O tempo não tem
Noção de si
E nem cabe em nós
Os dias são segundos
Para os seres mortais

Viver é muito mais do que escrever
É muito mais...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Estranho eu

Estranho eu
Escadas, vielas
Ando pelos degraus da poesia
E troco os dias
Na certeza da imensidão
Ninguém faz barulho
Se não existir razão
Lá fora é ventania
Vem morar comigo no refrão

Paisagens, janelas
Ando pelos versos, 
indiferente
E engano os dias
A frase nem sempre tem continuação
Afinal, ninguém faz barulho
Se não houver razão
La fora é calmaria
Me deixe ser interrogação... 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Agenda

Agenda
Então Deus nos leva na carruagem do tempo
Acorde cedo
Beba água da cachoeira
Finja que já é sexta-feira
Visite a avó
Passe a tarde inteira

Coma bolinhos de chuva
Em dias de Sol a pino
Desenhe meninos
No seu protocolo judicial
Observe os pequeninos
Pendure o terno no varal

Saia da lógica
Desenterre a contradição
Fira o princípio da ordem
Declare-se mandrião!

Seja telescópio
Em céu que precisa de estrela
E descubra a maravilha
Que é ficar descoisando
Só de bobeira...