quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sacolas plásticas


SACOLAS PLÁSTICAS
Nuvens de polietileno
Espumas citadinas
Somos todos recicláveis
A nossa validade é que é curta

Sacos natalinos
Nas filas dos mercados
Somos todos tecnológicos
Embalamos até nossos pecados

Depois vêm aquelas cestas
Abraços apertados
Somos tão momentâneos
Chegamos até ser engraçados...

Os dedinhos da sua mão


Os dedinhos da sua mão
Eu vou escrever canções
E vou me lembrar de você
Eu vou acalentar as suas ilusões
Eu amo tanto você
Minha figurinha repetida
Que eu não troco com ninguém
Meu single de horas
Meu ir mais além
São os dedinhos da sua mão
Eu quero você tão bem... 


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Janeiro que vem


Janeiro que vem
A próxima viagem
Que a gente junto fizer
Eu vou comprar só a passagem de ida
E a gente volta quando der

Vou vestir as minhas camisas
E desfilar pelos cantos do mundo
E dizer tantas coisas prá você
E dizer que você é tudo
É minha mulher

Meu roteiro favorito
Minha trilha de descobertas
Meu pacote sempre em promoção
Quarto de hotel de porta aberta
Viagem pela amplidão
Descoberta!

Carina entenderia...

Carina entenderia…
Andando de mãos dadas
Caminhando sem tropeçar
Esperando a hora exata
O momento certo
Para contar

Andando por ruas tantas
Gastando os sapatos novos
Ouvindo a manhã que se levanta
Esperando mais um pouco
A hora certa
O momento exato
Para falar

Sem medo
Sem achar que não pode ser assim
Esses meus companheiros
Ninguém os vê
Mas eles estão aí
Estão sim…

Homo lápis caneta


Homo lápis caneta
Sou uma compulsão incrível
A fome da letra.
Sou insaciável.
Sou a minha caneta.

Sou o discurso
O improviso
O desenho na minha camiseta
Sou o verso mal escrito
A vontade de escrever tudo tão depressa

Sou os meus discos
Meus quadros na parede
Sou a culpa
E a falta de juízo

Sou a dor na consciência
Sou o dedo no interruptor
A vontade de puxar o fio da tomada
Sou o diagnóstico do doutor
E escrevo
Para continuar sendo nada...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Abrindo os cadernos


Abrindo os cadernos
- Senta aqui um minutinho. Serei breve e imediato. Você só precisa de carinho. O médico te passou o remédio errado...
- Mas é que eu ando tão sozinha. Sem vontade de nada fazer...
- Senta aqui! Só um minutinho. Prometo que você não vai se arrepender...
- Mas é que me ensinaram desse jeitinho. O meu certo, é o errado para você.
- Não, não tenha medo, nem um pouquinho. Só por tentar você já começou a ser...
- Ser o quê?
- Mais viva, atenta. A ouvir a experiência divina que é viver. A gente cresce como os ramos da plantinha. E dá flor nos momentos de alegria.
- Você e suas figuras de linguagem. Por isso tanta poesia.
- Não sei o motivo. Mas é que a vida é tão pequenina. Eu não quero passar sem mexer...
- Mexer com o quê?
- Com a intensidade da luz em suas retinas, com a possibilidade de trocar a sua tristeza pela mais vívida alegria...
- Você distribui remédios?
- Eu me medico quando você sorri. Quando existe a reunião do ouvido com a boca, quando a palavra encontra a folha...
- Não à toa, faltam papéis para você escrever...
- Que nada... Ainda tenho as paredes...

Visitas inesperadas


Visitas inesperadas
Tempestades se aproximam
Vou desfilar bravatas
Gritando as minhas angústias
Que estavam entaladas

Escute o estrondo dos trovões
Balançando as coisas da casa
Vou desfilar sermões
Que estavam ensaiados

E depois
Que toda a água estiver empoçada
Vou gastar a tarde inteira
Desentupindo os ralos