segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Aos meus alunos


Continuo a minha luta
Mesmo que me tome
Por um filho da puta
Direi, então,
"Sou filho da pátria
Triste e combalida
Mas não caída 
Jamais derrotada!"
Ah, lutarei
Pátria amada
Sou de ti, aluno e professor!
E que essa dor 
Seja fortaleza
E dela 
Faça-se a luz
O amor!


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Existência passarinho


Voou pequenino
Porque minhas asas não cresceram nada ainda
Vou pequenino
O que a gente é diante da vida?
Um som, um barulhinho!
O bater das asas de um beija-flor
Quando a gente chega lá no finalzinho
Percebe o quão rápido já passou...


sábado, 15 de setembro de 2018

Meus dis(cursos)

Um rio corre em mim
Rio bravio
Que arrasta e afoga
Uma porção de mágoas
Que ainda não chegaram
Ao delta dos meus olhos

Queria ser tão mais simples
E que o silêncio
Não fosse transitório
Mas sou esse rio de águas turvas e barrentas
Onde as margens são tortas e sinuosas
Onde a poesia
Desse húmus se alimenta...


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

La gauche

Com a mão esquerda agora eu escrevo
Bem dizer, o que eu faço é teclar
É a cabeça que está um sacolejo
E a mão direita nem pode riscar

Essa dicotomia coça tudo em mim
Quase um delirar
A tala está na mão direita
As asas, na cabeça
A declamar uma sentença
"bem deseja ser peixe quem não sabe nadar"

Mas, se pensas que foge de mim
Que espezinha a cabeça
Carente de uma mão a acompanhar
Saiba, palavra escrita
Escrever para mim
É respiração
Impossível parar!


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Ao escrever


Passarás tanto tempo
Sem ao menos tentar escrever?
Não se esqueça de que palavras são asas
E ao chão
Você nunca soube pertencer
Então, escreva Pedro!
Mesmo que seja sem querer
Porque quando a gente escreve
A gente esquece até de sofrer...

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Libertatem scribam!

As palavras são muito mais
Muito mais do que junções de letras
Ai de mim
Astronauta grafite
Desbravando papéis-planetas              

Faço delas, as palavras,
uma coleção de aventuras
Edifico-me pelos versos
Para mim,
Escrever é um ato de soltura
Asas abertas

Liberta!
A alma no tempo
A ideia que estava na cabeça
Uma justa limpeza por dentro
Eis minha nave-caneta

terça-feira, 3 de abril de 2018

Por isso, passarinho!


Vivo onde o petróleo queima
Onde é mais difícil escrever um poema
Onde o dilema se dá depois que a chuva cai
"A gente sai ou não sai?"
Por isso, passarinho!

Vivo nessa confusa confluência
De pessoas que estão sem estar
Uma ingrata dependência
Que me permite adorar reclamar
E por isso, eu passarinho!

Chego a me tomar como um ermitão
Que de pijama se queixa
Quando, após o estrondo,
Vem o apagão
E por isso tudo, eu passarinho!

E já quase arrependido
Decíduo lápis em minhas mãos
No meio de carros e edifícios
Antenas de rádio e televisão
Avisto e sorrio
Passarinho
Por isso, passarinho
Arranco-me do chão