domingo, 7 de setembro de 2014

A escorregar pelas colunas

A escorregar pelas colunas
Já vejo outra parte de mim
Em um tempo onde não mais estou
O menino a correr da sala para o quarto
E o primo que chegou

Vejo da sacada do tempo
Onde o vento se incumbe de nos fazer lembrar
E os cheiros e brinquedos
Infância!

E chego a ter em mim mesmo
A certeza
De que a gente encomprida
Enquanto a vida só faz encurtar

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Vida passarinheira

Vida passarinheira
Nasci com asas
Asas de gavião
A plainar sobre quintais e salas
E carregar
E ser carregado pelos irmãos

Nasci com os olhos para o alto
A olhar o azul e os pontilhados
E o desejo nato
De saber voar
E olhar para cada um dos galhos
E descobrir onde o pássaro está

Nasci plural
Porque a vida não cabe
Jamais haverá de caber
Em um par de asas
Nasci amado
Querendo amar...

Álbum

Álbum
Com a cesta nas mãos
E a mochila da vontade nas costas
Qual é a resposta
Que a vida pode dar?
Ninguém escolhe sofrer
A gente escolhe amar
Aprender é rir do tempo
Que só o tempo da vida consegue nos dar

Eu tenho figurinhas repetidas
Quem quer trocar?

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Joelhos ralados

Joelhos ralados
A bambuzear na vida
Balançando ao sabor do vento
Existir é janela aberta
Gritar e fazer silêncio

A bambuzear na vida
Espantando os fantasmas e maus pensamentos
Existir é esperar a ferida
Virar marca do amadurecimento...










Imagem extraída do sítio:

http://ocairdanoite.blogspot.com.br/2011_04_01_archive.html

Entre a unha e o dedo

Entre a unha e o dedo
Aperte as minhas mãos
Bem agora!
Não adianta dizer-se cristão
E não colocar isso pra fora
A casca esconde a fruta podre
E o tempo dará conta de levar embora
Não adianta dizer-se amplidão
Se você guarda os sonhos em uma sacola

Aperte as minhas mãos
Bem agora!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O amanhã de hoje

O amanhã de hoje
Nosso tempo é o presente
E a vontade de continuar
A crença de que pode ser mais
Sempre!
Na criança que vai chegar

Nosso tempo é o tempo da gente
O tempo de ter sonhos
Carregados no ventre
E encontrar beleza
Em qualquer lugar
Fazer o futuro
Sem necessariamente
Precisar estar...

quarta-feira, 16 de julho de 2014

No rancho

No rancho
Sinto o gosto da terra
A barranca do rio
O dia vadio
E o barco que vai
Sinto o meu pai
E suas histórias de menino

Sinto o frio da manhã
E o resplendor do dia
E escrevo poesias
Com o remo do tempo
A singrar no silêncio do ser
Vô Luís,
sinto você...