quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Antes de a chuva cair

Antes de a chuva cair
Escute!
Aumente o volume
Eu sou só mais um peixe no cardume

E tem tanto mar prá navegar
Não dá para parar agora
Onde você quer morar?
Conte para mim a sua história

Escute!
Aumente o volume
Nós somos só um
Dos muitos cardumes

E tem tanta coisa para perdoar
Não dá para brigar agora
A despedida é momento
Todo mundo
Um dia vai embora

Escute!
Aumente o volume
É só a chuva lá fora...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Nós

Nós
Enquanto alguém quiser ouvir
Estiver disposto a escutar
Terá sempre alguém para dizer
Para contar

Somos diálogo
Troca e silêncio
Somos a palavra
E a palavra é a centelha do pensamento














imagem retirada do sítio blogdomarson.zip.net

Meus cabelos piracicabanos

Meus cabelos piracicabanos
Minha menina usa véu
E já é noiva
Princesinha d’oeste
E já é moça
Está nas minhas lembranças
Nas coisas que adoro criar
Na colina que cai
E o rio insiste em alagar

Minha cabeça
Tem gosto de barro
Barulho de sabiá
E meus cabelos
O vermelho da terra
Onde adorava me sujar

São os meus cabelos piracicabanos
Com gosto de caldo de cana
Onde os dias têm mais de vinte e quatro horas
Onde há mais de sete dias na semana…

Cotovelos sobre a mesa

Cotovelos sobre a mesa
- Vê se come direito. Olhe essa postura aí. Assim a comida não desce. Nada de esconder o rosto.
  Mas as palavras já estão todas entaladas, não adianta usar a faca. Ela não vai cortar mesmo. Por mais que eu force, que eu tente separar as sílabas, a folha rasga, mas as sílabas não se largam.
- Então termine de comer e saía da mesa. Não quero cara feia aqui.
  Mas os papéis já tomaram conta, já viraram repasto e refeição, prato principal e para degustação. Não adianta mudar o lugar da coisa, se a coisa já mudou a gente. Não é o ranger dos meus dentes que incomoda. É a ideia de que as palavras ficam depois que a gente vai embora. E daí a gente olha a casa e elas estão espalhadas pelo tapete, pelo sofá, jogadas pelo chão.
- Danado você. Sempre arranjando desculpas para não comer.
  Meu regime é a autofagia das minhas ideias, na degustação absurda que faço das minhas ideias em folha qualquer. Ainda mais se eu tiver motivos para não escrever. Quer dizer, comer…

Sobre as coisas da minha casa

Sobre as coisas da minha casa
Todas juntas
Todas elas
Bonitinhas, perfiladas
Minhas camisas penduradas
E as calças que eu gosto de usar

Todas essas minhas coisinhas
Pedaços de mim,
eu sei!
O tapete,
a cortina
E a parede onde eu desenhei

Então eu abro a porta
E saio
Pedaço de mim,
não estou
Esperando a volta
E a pergunta sua:
“e este abajur, onde você comprou?”

Minha inspiração

Minha inspiração
Falo mil idiomas
Quando a sua boca encontra a minha
Sem ter medo das incoerências gramaticais
Você consegue ser
Verso, prosa e rima

Desenho mil tetos
Em um céu-tela
E sigo os teus passos
No desencontro das suas pernas

Deixo os desagrados
Vivo só de coisa boa
Que não acaba mais
E se os incrédulos me perguntarem
Por quê?
Porque com você
Eu me sinto tão capaz.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um convite

Um convite

Vamos plantar sonhos

E colher roseiras

Abraçar os inglórios

E beber bobeiras

 
Vamos engolir o orgulho

Dar de costas para a arrogância

Experimentar o que é simplório

Voltar a ser criança

 
Vamos amar o que é lindo

E adorar o feio como o mais belo

Vamos ser sinceros

E usar todas as folhas do caderno