quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Cachos-poesia

Cachos-poesia
Se eu tivesse mais cabelo
Juro que iria deixar crescer
Cachear inteiro
E sair por aí
Com eles ao vento
Sem querer pentes
Nem em pensamento
Porque a vida não penteia
Ela faz apenas crescer
E quem desataria os nós da minha cabeleira
Seriam as mãos do meu bem querer

Se eu tivesse mais cabelo
Deixaria-o balancear
Cair no atabaque dos dias
E faria poesias
Para cada cachinho formado
E escorregaria pelas percussões do acaso
Acaso cacheado

Mas logo me dou conta
Que o tempo anda levando
Os cachos que outrora possuía
E nos lugar de cachos vastos
Vem a calvície
Que sem dó e nem piedade se anuncia
E nos espaços vagos da minha cabeça
Logo coloco outros cachos
Cachos-poesia
Porque posso andar descabelado
Mas jamais com a cabeça vazia!




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ag

Ag
Aumente o volume
Vou fazer silêncio para você ouvir
Há mais do que você pensa nisso tudo
Mais do que você consegue sentir

É que a coisa toda é tão confusa
A gente não prevê o dia que virá
Viver é um sortilégio de novas ruas e calçadas
Há tantas casas para morar

Então, aumente o volume
Saia dessa maldita sala de estar
Deus não faz conosco curtumes
É só uma questão de sair do lugar









Imagem extraída do sítio http://caminhopoetico.blog.com/2011/09/21/educacao-reflexo-no-espelho/

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Bolo que vem

Bolo que vem
E se tiver que desenhar na parede
E matar a sede
E viver um pouco mais?

E se tiver que pedir desculpas
Assumir a culpa
E amar um pouco mais?

Quem dera fosse tudo tão certo e correlato
Que dividíssemos do mesmo prato
Amássemos sem ter medo...

Por certo
Haveria mais desenhos
Mais rios para gente brincar
Meninos desde sempre
Desculpas sem culpas para justificar
E do olhar se faria a fruta
Da primavera que não quer acabar
Viver seria a melhor das desculpas
Para gente sempre
Sempre (se) amar!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Caso eu suba

Caso eu suba
Papai do Céu
Não peço muitas coisas
Só coisas que eu sei que o Senhor pode dar
É que quando eu penso na hora da partida
Logo começo a me angustiar
Será que no céu vai ter música boa?
Será que Raulzito foi para lá?
Espero que também tenha ribeirões e passarinhos
Para que eu possa me deliciar
Nas corredeiras do destino
Que a vida nos faz trilhar
E que seja uma viagem de sonidos
Onde as nuvens sejam os poleiros
Do andar de cima

Veja bem,
Não peço muita coisa
Só mesmo o que eu sei que o Senhor pode dar
E se o papel não tiver acabado
Peço também para o Senhor anotar
Que no andar de cima tenha
Redes e prateleiras com livros
E uma corrente de contadores de estória
Que os repentistas alegrem aí também a vida
E que a minha companheira
Venha para junto comigo (na)morar...
E se sobrar mais alguma coisa bacana
Pode colocar como extra
Que eu não vou me importar...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Intervalo

Intervalo
A gente desce para o parque
Não importa qual seja a feira
A porta da sala já está aberta
E se não estiver
A gente sai pela janela

E descortina
E desenclavinha
Faz parecer brincadeira
Viver é mesmo uma sequência de intervalos
Fazer festa
Viver canseira

Porque de respostas prontas
O mundo já está cheio
E eu quero encontrar outras
Novas propostas
Muitas delas bem gostosas
Guardadas dentro da minha lancheira...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Dezesseis de setembro

Dezesseis de setembro
O pai da gente
É da gente
Para depois ser no mundo
E no fundo
A gente escolhe o que ele pode ser
Pode virar astronauta
Super-herói
Artista de cinema
Mas pai
Ele sempre vai ser

É que há coisas
Que a gente nem percebe
Mas já está
Antes de a gente querer
Planeta que o nosso pai visita
Vilão que o nosso pai combate
Filme que encanta as vistas
Qualquer coisa que a gente desconhece
Ou finge que sabe
Porque pai
Pai tem dessas coisas
Pai faz até milagre 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Próximos dias

Próximos dias
Luzes de vagalumes
O céu coberto delas
Meus misteriosos costumes
Viver é desatar fivelas

Cheiro de eucalipto
O risco é levantar
Pés descalços para sentir o chão
Braços livres para abraçar

Asas de insetos
É tão incerto ser
O mistério se faz do resto
Do dia de hoje
Até o dia em que eu morrer...