terça-feira, 11 de novembro de 2014

Dezesseis de setembro

Dezesseis de setembro
O pai da gente
É da gente
Para depois ser no mundo
E no fundo
A gente escolhe o que ele pode ser
Pode virar astronauta
Super-herói
Artista de cinema
Mas pai
Ele sempre vai ser

É que há coisas
Que a gente nem percebe
Mas já está
Antes de a gente querer
Planeta que o nosso pai visita
Vilão que o nosso pai combate
Filme que encanta as vistas
Qualquer coisa que a gente desconhece
Ou finge que sabe
Porque pai
Pai tem dessas coisas
Pai faz até milagre 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Próximos dias

Próximos dias
Luzes de vagalumes
O céu coberto delas
Meus misteriosos costumes
Viver é desatar fivelas

Cheiro de eucalipto
O risco é levantar
Pés descalços para sentir o chão
Braços livres para abraçar

Asas de insetos
É tão incerto ser
O mistério se faz do resto
Do dia de hoje
Até o dia em que eu morrer...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Janelar

Janelar
O canal do mundo
Não repete programa
Fica 24 horas no ar
Não pede que a gente assine pacotes
Mas que aproveite essa sala de estar
Chamada horizonte
Que sente
Sinta e admire
A presença das mínimas coisas
E faça nossa também essa esquete
Afinal, viver é janelar
Estrear e reestrear...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Logo acaba

Logo acaba
Sou o tipo de morte
Que a vida não escreve
O tipo de rebento
Que nasce
Mas não cresce
Sou astronauta
De um planeta sem órbita
Sou a rua torta
E a casa sem porta

Sou um tipo sem definição
Começo sem continuação
Conflito de um lápis
Em muitas mãos
Sou astronauta
De um espaço sem dimensão
A porta torta
Sou janela sem amplidão...

domingo, 7 de setembro de 2014

A escorregar pelas colunas

A escorregar pelas colunas
Já vejo outra parte de mim
Em um tempo onde não mais estou
O menino a correr da sala para o quarto
E o primo que chegou

Vejo da sacada do tempo
Onde o vento se incumbe de nos fazer lembrar
E os cheiros e brinquedos
Infância!

E chego a ter em mim mesmo
A certeza
De que a gente encomprida
Enquanto a vida só faz encurtar

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Vida passarinheira

Vida passarinheira
Nasci com asas
Asas de gavião
A plainar sobre quintais e salas
E carregar
E ser carregado pelos irmãos

Nasci com os olhos para o alto
A olhar o azul e os pontilhados
E o desejo nato
De saber voar
E olhar para cada um dos galhos
E descobrir onde o pássaro está

Nasci plural
Porque a vida não cabe
Jamais haverá de caber
Em um par de asas
Nasci amado
Querendo amar...

Álbum

Álbum
Com a cesta nas mãos
E a mochila da vontade nas costas
Qual é a resposta
Que a vida pode dar?
Ninguém escolhe sofrer
A gente escolhe amar
Aprender é rir do tempo
Que só o tempo da vida consegue nos dar

Eu tenho figurinhas repetidas
Quem quer trocar?